Colonialismo interno, colonialismo internacional e ideia de raça
O conceito de colonialismo interno
O conceito de "colonialismo interno" foi criado pelo sociólogo mexicano Pablo González Casanova. Em linhas gerais, esse conceito remete ao fato de que a elite latino-americana que passou a assumir o poder depois da independência das ex-colônias, opta por copiar as mesmas relações de poder que já existiam na época da colonização, em cuja base está a ideia de raça.
Assim, todas as instituições desses novos países passarão a funcionar a partir da ideia de que existem raças superiores e raças inferiores, a primeira representada pelos valores do homem branco-europeu-cristão e a segunda pelo homem não-branco, não-europeu e não cristão.
Indígenas e Quilombolas frente ao desenvolvimentismo
O fato é que esse segundo grupo, considerado bárbaro, deverá se submeter aos representantes dos valores europeus, devendo-lhes obediência e tendo de se submeter às suas decisões. Na verdade, esse grupo não branco e não europeu, indígenas e quilombolas, passarão a representar um entrave ao desenvolvimento dessas novas nações, sendo em sua maioria exterminados de diferentes formas.
Extermínio de indígenas e quilombolas
Entre as formas de extermínio está expulsar-lhes de suas terras, o que significa para indígenas e quilombolas, a perda de sua própria identidade, de sua cultura, pois perder seu território é perder o convívio com sua ancestralidade, encarnada nos entes encantados das florestas, dos rios, das montanhas, enfim, em sua relação com a Natureza, é perder o próprio sentido da vida.
O que é a Natureza para os indígenas e quilombolas?
Ao contrário do homem branco-europeu, para os indígenas e quilombolas, a Natureza não é vista como um objeto a ser explorado sem limites para o próprio benefício, mas como um sujeito, que possui por assim dizer, uma personalidade, características, necessidades, que devem ser respeitadas, caso se queira conservá-la e perpetuá-la para as próximas gerações.
Colonialismo interno, internacional e multinacional
Mais adiante, a esse colonialismo interno, ou seja, a essa reprodução do modelo europeu na América Latina, será acrescentado o colonialismo internacional e multinacional, quando as instituições políticas, econômicas e jurídicas passarão a servir aos interesses de uma rede corporativa formada por grandes bancos, fundos de investimento, políticos, empresas nacionais, internacionais e multinacionais.
Essa rede corporativa, cujos membros são em geral grandes proprietários de terras, são hoje os grandes responsáveis pela expulsão de indígenas e quilombolas, pela mortes de inúmeros líderes, pelo extermínio dessas populações.
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